quarta-feira, maio 15, 2013

ENTREVISTA DUNGA

Alexandre Ernst e Leandro Behs
Um Dunga diferente do que o torcedor está acostumado surgiu às margens do Guaíba, na tarde de quarta-feira, durante uma hora de conversa com Zero Hora. Conversa mesmo. Porque após 20 minutos de entrevista, o técnico do Inter pareceu mais à vontade diante de repórteres e passou a falar sobre o seu jeito de ser, como gosta das coisas e a contar histórias, mas sem nunca deixar alguma pergunta sem resposta. Talvez aos olhos do público — e a alguns olhares do Beira-Rio — Dunga precise ser um pouco político. E isso é coisa que ele não é. Fala o que pensa e tem uma transparência que chega a surpreender no mundo do futebol.
Nessa entrevista, feita com o rio às costas, com entrevistado e entrevistadores sentados em cadeiras de plástico, Dunga falou do polêmico vídeo da conquista do Gauchão, retirado do site oficial do Inter por ter desagradado a ele, técnico, e a parte dos jogadores, da hierarquia dentro do clube e do departamento de futebol, afirma que não manda no Inter, reitera a necessidade de reforços, versa sobre a imprensa, diz que é perseguido e admite ainda guardar algum rancor pelas críticas à Era Dunga, na Copa de 1990.
A seguir, os principais trechos da entrevista com Dunga e um vídeo sobre a projeção do treinador para a temporada.
O jeito de trabalhar
O que eu quero é que cada um faça sua função. A cada dia que passa, vejo que estão certas as decisões que estou tomando. Todo mundo reclama que o Dunga tirou esse, aquele, que o Dunga mandou embora. Não fiz nada disso. Só quero que cada um faça sua função. A assessoria de imprensa, por exemplo, tem de ficar com os jornalistas. E o que mais eu quero? Que quando o jogador estiver no vestiário, ninguém vá lá. Nem a minha comissão. Eles têm de estar entre eles, têm de conversar, bater papo, trocar ideias. Só entro no último momento. Não quero um monte de gente lá dentro. Tem certas coisas que me incomodam. Tu não estás preocupado em mostrar o vídeo (divulgado com a mobilização dos jogadores no vestiário da decisão contra o Juventude) como uma coisa linda do Inter. Tu quer mostrar o teu trabalho. Ah, eu fiz o meu. Não. Quero saber se tu fez o teu trabalho em benefício do grupo. Daí me serve. Muito se fala em coletivo, em equipe. Mas assim vira "euquipe". A mentalidade é que tem de mudar. O que tem de falar mais alto aqui é o Inter, não é o Dunga, o Carlos, o Pedro. O Inter tem de ser maior.
O afastamento do assessor de imprensa do vestiário
Não gosto de surpresas. O cara fala que o Dunga brigou com o fotógrafo. Não, eu não briguei. Só fiz um pedido para em determinado treinamento não fazer filmagem. Aí o cara vai lá e filma, querem que eu fique satisfeito? Não, tenho de ir lá cobrar. Quer dizer, não deveria ser eu a cobrar. Eu comuniquei o cara (o assessor de imprensa José Evaristo Villalobos, o Nobrinho) de que era função dele, mas como ele não faz, eu acabo fazendo e me exponho. Minha forma de trabalhar é que tem de estar tudo na minha mesa por escrito, horário do treinamento, regulamento do campeonato, horário de viagem, cartões, estádio, mudanças de jogos... eu não quero que, quando eu estiver indo para o treino, o cara venha me falar sobre isso. Não. A hora de ir para o treino é a hora em que eu estou no treino. Não é hora de falar. Fala antes. Tem de chegar na minha mesa e dizer: tem essa, essa e essa opção. Ponto. Eu estava há três meses aqui e nenhuma vez tinha um clipping de notícias do dia a dia do Inter na minha mesa. Agora começou a chegar (o clipping). Depois de três meses, que coincidência... O torcedor tem de saber a verdade.
A relação com a imprensa
No futebol, tem-se muito medo de se falar as coisas. Eu não tenho medo de falar. Por isso, falam: "O Dunga não gosta de jornalista". Não, eu entendo jornalista, ele está fazendo o trabalho dele, sua função. O jornalista pode errar, claro. Pode dar algo que não é verdadeiro para atacar alguém. Mas eu respondo o que tenho de responder. Sem dúvida, sou perseguido. Tem certas coisas que não concordo, mas que acontecem, e eu respeito as pessoas. O que não suporto é tu me forçares a ser corrupto se eu não sou corrupto. Por mais que tu sejas meu amigo e eu não concorde com o que tu faças, eu respeito a tua opção. Agora, o que não aceito é que tu me persigas porque não sou assim. Não. Tu tens de me respeitar como eu sou. Dunga bateu com a Globo? Não, eu não bati com a Globo. Fiz todo mundo trabalhar com a mesma igualdade. Tu me persegues porque não dou notícia para ti. As mesmas pessoas que criticavam que a Globo tinha benefícios, hoje, como não têm benefício, me atacam. Ora, onde está a conduta? Não sou melhor ou pior. Sou só diferente. Tenho a minha conduta.
Torcedores em treinos
Quer vir conselheiro (no treino), pode. Só não quero que fique no vestiário, com o jogador. Já pedi lá no início, por exemplo: quero três degraus de arquibancada no CT, quero ter torcedor aqui (no treinamento). Agora, fiz o pedido. Não posso ir lá mandar fazer, não posso construir. Tenho de passar para aquele que, por direito, tem o poder de fazer.
A origem da crítica
A minha personalidade vem de família. Eu cresci e venci pelo meu trabalho. Eu cheguei até onde cheguei pelo meu trabalho, pela minha conduta. Fiz coisas que jogadores muito melhores que eu não fizeram. Mas começam a me criticar porque o cara que é muito melhor que eu não venceu, e eu venci. Isso é culpa minha? Tem de criticar o cara que é melhor do que eu e não venceu. Esse é um problema do Brasil, né? O cara começa a te atacar porque o outro não ganhou, diz que eu não jogava nada, que o cara jogava mais... me ataca dizendo que eu não era tão bom quanto o cara, mas o que era melhor que eu não venceu. Eu fiz coisas que o cara que era melhor do que eu não fez. E aí? Não é meramente uma questão técnica. Tem de ser determinado, disciplinado, tem de se preservar de coisas... tudo tem um preço para se pagar e para conquistar alguma coisa na vida. As pessoas acham que jogador tem de ser louco, estrela... não, não é assim. Tem de se respeitar as individualidades. Tenho uma conduta. O cara diz: "Dunga está mau humorado". Não! As pessoas é que não estão acostumadas. Elas estão acostumadas a criticar, mas não de ouvir a resposta que elas não querem. Ora, se tu pode perguntar o que tu quer, eu também tenho o direito de responder o que eu quero. Posso não concordar contigo.
As cobranças
Eu tenho uma coisa comigo: é melhor ter para cobrar dos outros do que os outros tenham algo para cobrar de mim. Minha conduta tem de ser correta, exemplar, para eu ter como cobrar depois. E as pessoas não gostam de gente assim. Isso tem muita vinculação com o D'Alessandro. É um cara competitivo, que cobra. E, no passado, tinham pessoas que não gostavam disso, dessa cobrança. Mas eu gosto. Quanto mais me cobrarem, mais eu vou estar concentrado no meu trabalho para fazer as coisas direito. Gosto que estejam comigo com a mesma conduta. Olha o Gentil, o Ismael, o Osmair, o Pernambuco (funcionários do Inter)... estão no clube há 50 anos. Vê se alguém fala algo deles, se alguém cobra deles, se eu reclamo deles. Não... Os caras trabalham, fazem o deles. Têm a conduta e o perfil que a gente quer.
Cargos vitalícios
Os acontecimentos que sucederam no Inter cada vez comprovam que minha postura e minhas decisões estão corretas. Eu acompanhei, meus amigos acompanharam um pouco das redes sociais: pessoas falando que tiraram o cara, que o cara saiu do Inter, como pode? Está há quatro anos no Inter e vai sair? Se um diretor vier aqui hoje e te tirar tem de sair, isso aqui não é cargo público. Tu não fez nenhum concurso para ficar a vida toda aqui. Pois se é assim, então, vou querer voltar para a Seleção. As pessoas mudam e você tem de aceitar. Aqui no Inter está entranhado que o cara é vitalício (em uma função). Não, não. Aqui ninguém é vitalício. Se eu mandasse em tudo e realmente tivesse poder, muita coisa ia ser mudada, estaria diferente, e muita gente não ia estar aqui. Eu não mando tanto assim.
Mudanças no Inter
Todo mundo sabe como funcionam as coisas aqui. Só que nem todo mundo tem coragem para falar. Não digo nem coragem, poucos querem se incomodar e falar. Todo mundo sabe quem é quem. Me chamaram? É porque alguma coisa não andava bem. Vou fazer como estava sendo feito? Isso não vou concordar. Continuava tomando chimarrão com meu guarda e dando risada. Vim aqui para colocar meu trabalho no clube que me deu oportunidade de fazer minha vida no futebol. É uma retribuição de carinho. Eu sou bem remunerado para fazer isso e vou fazer. Custe o que custar. Enquanto me deixarem aqui, eu vou fazer.
Relação com o executivo de futebol
Minha relação com ele (Newton Drummond, o Chumbinho) é profissional. Eu chego aqui e quero que cada um seja profissional.
O ritmo das mudanças
Os caras falam que o mais difícil é trabalhar com jogador. Eu digo que é a coisa mais fácil. Tu coloca as tuas ideias, discute... é ruim? O que vocês acham? É esse caminho que vamos seguir? E, depois, é tocar adiante. É esse caminho. Agora, o resto é mais difícil. Porque tu não tem ingerência direta. Os caras falam: "O Dunga quer mandar em tudo". Não é prepotência, arrogância, mas a minha equipe, o meu staff de trabalho, faria as coisas andarem muito mais rápido. Mas não depende de nós. Do que depende de nós, as coisas andam mais rápido. É mais fácil, é direto, é objetivo.
Vazamentos de informação
Eu não sou contra a informação. Só acho que ela tem de ser dada no momento certo. Quando tudo está decidido. Se eu te der a informação e mudar, tu vai me cobrar. Daí o treinador tem de responder. Pô, eu tenho de falar sobre algo que não tenho nada a ver? Tem é de cobrar de quem falou. Daí sobra para mim, que o Dunga isso, o Dunga aquilo. Mas eu não dei a informação. Tu tens de ficar brabo com quem te deu a informação. Ah, mas falaram que ia vender fulano, não vendeu. Vai lá cobrar do cara que te deu a informação, não de mim.
Negócios
Têm me ligado uma série de pessoas oferecendo jogador. Eu respondo: "Não é comigo". Nós temos um diretor-executivo. Passa por ele e depois vem falar comigo. Aqui tem hierarquia. Os caras que trabalharam comigo me ligam, são meus amigos. Eu falo: "Não é comigo". Passa pelo executivo, depois vem para mim, eu analiso, falo com os dirigentes... Se o presidente vier falar comigo, me pedir para falar com jogador, daí eu falo. Mas não atravessa, não põe a carreta na frente dos bois. Eu sei como funciona o futebol. Tem de ter uma linha. Se o presidente me pedir, não tem problema nenhum. Mas tem de partir de lá. Para tu ver como eu não mando em tudo, como os caras falam... eu respeito hierarquia (risos).
Mágoa de 1990
Quem bate, esquece. Quem apanha não esquece. Todos guardamos mágoas, não adianta dizer que não. Tu guarda. Nem é mágoa... Veja bem: quando fazem uma crítica sobre mim que é verdade, eu fico p..., mas fico comigo. Penso: como é que dei essa mancada? Como dei essa chance para o cara? Errei. Mas quando é algo falso, algo direcionado, daí não. Por exemplo: a expulsão (contra o Esportivo). Os caras me meteram pau, mas não fiquei brabo com os caras. Fiquei brabo comigo. Como dei essa mancada? Como dei essa chance? Os caras estavam esperando isso para me dar pau e eu caí nessa... Eles têm razão, eu dei chance. Mas quando os caras são direcionados, daí não sou eu quem guardo mágoa, são eles. Não são todos, mas nem todos os jornalistas estão preparados para receber uma resposta que não querem. Se tu pegar minhas coletivas, talvez pela minha forma de falar — pois quando eu compro uma coisa, compro 100% —, todos falam que o Dunga está brabo, irritado... O torcedor olha e pensa que eu devo estar de mal com a vida, devo chegar em casa e quebrar tudo, bater em todo mundo... mas por quê? Porque dei uma resposta que ele não ficou satisfeito, que ele não queria. O cara fala coisas que são mentiras, quando vier me perguntar eu vou responder — e jogar na cara: tu estás mentindo. Fica com raiva de ti, não de mim. Tu é que tinha que te informar melhor.
O trabalho até agora
Não sou eu. É o coletivo que está satisfeito com o que foi feito. Mas o coletivo não está acomodado. O que programamos? Ganhar o Campeonato Gaúcho. E conseguimos conquistar pelo trabalho realizado pelo jogador, pela comissão técnica... toda a equipe. Mas não pensamos que está tudo feito, tudo perfeito. Não, queremos continuar a melhorar, cobrar mais. Começamos com um meio-campo. Tivemos de mudar. Passamos por outro meio-campo, tivemos de mudar. Veio outro, tivemos de mudar. Então, o sincronismo começa a vir menos. Como não temos tempo para treinar e você só joga, é lógico que, em muitos jogos, não teremos a mesma qualidade. Os jogadores estão querendo, está acontecendo uma competição interna sadia, legal. Estão se cobrando, estão gostando de trabalhar juntos, de conviver juntos... Isso é legal. Mas, no resto, tem de melhorar, tudo tem de melhorar.
Corinthians, Atlético-MG, São Paulo...
Esses caras estão na frente, sem dúvida. Mas o futebol se joga dentro de campo, são 11 contra 11. Às vezes, você não tem um grupo bom, mas tem muito mais foco e concentração naquilo que se quer. E daí você vai atropelar. Uma coisa que não gosto: o Marcos Aurélio saiu sem eu falar com o jogador, o jogador soube que ia sair por terceiros (o meia foi cedido ao Sport). O caso do Rafael Moura (que o Palmeiras tinha interesse no jogador), o Dagoberto soube por terceiros que iria deixar o Inter. É como disse: não sou melhor ou pior que ninguém. Sou diferente. Como eu trabalho com jogador e fui jogador, sei como o jogador quer ser tratado. A primeira pessoa a saber tem de ser o jogador. Para você adquirir o respeito perante os jogadores. Tem de ter respeito profissional. Não impede de vender, trocar, mas o jogador tem de estar seguro contigo, que aquilo que tu falas é verdadeiro. Não dá para tirar os caras para bobo, tem de tratar com respeito. Tem se ser franco, objetivo. Falar a verdade.
Saídas e chegadas
Todas estas notícias que estão saindo por aí são mentira. O Inter não tem proposta por nenhum jogador e não está vendendo nenhum jogador. Quem começou a dar notícia antes da final do Gauchão era para tumultuar o ambiente. Você não vai falar em uma véspera de decisão sobre isso. Só se tu fores muito cru, né? Muito inocente e não tiver a experiência. Teu time vai para uma final e você vai falar que teu único lateral-esquerdo vai ser vendido. É ser muito inexperiente, coisa que não acredito. Eu liguei para o presidente três vezes, e ele disse: "Dunga, não tem nada!". Fui falar com o Fabrício: "A primeira coisa que tiver eu venho te falar, mas não tem nada". Essa foi uma reunião que tive com o jogador: sempre que tiver algo, eu vou diretamente te comunicar. Assim como disse: "Eu não mando ninguém embora". Não fui eu quem contratou, quem contratou tem de saber se o cara é ruim ou bom. Mas isso não é só no profissional, tem de ser desde lá na base. Na primeira semana que eu estava aqui o cara me diz: "Fulano vai embora, vai ficar, tem de renovar". Eu disse: "Não, faz uma semana que estou aqui. Como é que vou interromper a carreira de um atleta?" Quem trouxe, quem contratou que tem de assinar embaixo.
Preocupação com o Santa Cruz
Preocupado tu sempre estás. Todo mundo tem de ter o frio na barriga. Futebol é 11 contra 11. O futebol nos ensina a cada dia. Tem de estar ligado, concentrado. Não tem mais bobo no futebol. Tem de impor tua condição dentro do campo, fora ninguém ganha.
Dependência a D'Alessandro
O campo vai decidir. Comecei no meio com Willians e Fred. Machucou o Willians. Depois, machucou o Fred, machucou o Dátolo. Tive de ir mexendo, e o time foi se encaixando. Veio o Josimar, machucou o Josimar, depois Ygor. O futebol é dinâmico. Lógico que um jogador como o D'Alessandro, pela qualidade que tem, vai fazer falta em qualquer time do mundo. Temos de descobrir um mecanismo para quando ele não estiver em campo. Mas será que tem um mecanismo? Será que tem jogador para a função dele? Vamos mudar com mais velocidade, menos velocidade? Estamos começando a preparar o Otávio para a função, mas ele é acostumado a jogar por fora, não por dentro. Daí falam: "Já temos um para o lugar do D'Alessandro". Mas o menino tem 18 anos, está acostumado a jogar por fora (pela lateral), não por dentro. Isso tem de ser pensado. Pode dar certo? Pode. Mas também pode dar errado. Não dá para queimar o guri. E ele tem de entrar por merecimento. Você vê no treino, como o jogador se comporta, como está reagindo. Vai ter momentos que vamos ter de jogar sem o Damião, sem o Forlán, sem o Moledo, o Gabriel. O importante é ter as opções para modificar.
Copa do Brasil e Brasileirão
Não tem como optar. Jogador gosta de jogar. Ele sabe que, para jogar, tem de treinar. Se perguntar para ele a opção entre jogar e treinar, ele prefere jogar, sem dúvida. Neste ano, no início, em algum momento usamos equipe mista. Os caras vieram e disseram "não, a gente quer jogar". A gente respondeu: "Estamos pensando lá na frente. Isso é para dar sustentação, uma base para vocês jogarem o ano todo". A gente não está poupando ninguém, estamos fazendo um trabalho diferenciado para que eles possam aguentar a carga de trabalho do ano todo.
A blindagem ao vestiário
D'Alessandro, Forlán, Damião, Romário, Bebeto... são jogadores visados. Não tem jeito: vão caçar eles. Mas na mesma preocupação com que o juiz diz que ele era reincidente, tem de colocar a preocupação no cara que é reincidente em cima do D'Alessandro. Não pode só acusar. Não entendo muito de lei, mas o jogador não pode ser julgado agora pelas infrações que fez no passado. Isso é pré-julgar antes de ver imagens e o que realmente aconteceu. Todo mundo diz que ele reclama. Claro que tem de reclamar. Naquele jogo contra o Veranópolis, ele teve um corte no nariz. Ora, ele não se cortou sozinho. Mas daí todo mundo ficou preocupado que ele reclamou. Vamos cobrar dele que ele reclamou, claro. Mas vamos pensar porque ele teve o corte no nariz. Vamos cobrar de quem cortou o nariz dele. Tem de ter uma proteção do clube perante o jogador. Isso não apenas com o D'Alessandro, mas com todos. Ano passado faltou exatamente isso: atacou tal jogador? Bom, atacou ele. Melhor não atacar a mim. Isso não é equipe. Temos de proteger o jogador, fazer a cobrança interna. Mas, externamente, tem de proteger o cara para ele se sentir seguro. Senão, no jogo, ele não vai se expor.
Fred
Quando coloquei ele de volante, escreveram que ele rende mais na frente. Agora, que está na frente, dizem que ele tem de jogar mais atrás. Vai ter jogos que ele vai jogar bem, outros que não. É um jogador que tem muito para vencer e evoluir. Só que jogo, jogo, jogo, sem treinar muito, é complicado. Tem de ir aos poucos, ter paciência, ir melhorando. Passar para ele a confiança que ele pode errar, que a gente confia nele. Eu vivo dizendo: arrisca. Futebol é jogo de risco. Vai melhorando. Se não dar confiança quando ele errou a primeira vez, não adianta. Pega ele, chama, diz: "vamos melhorar, faz assim, te inclina mais na hora do chute, melhora a posição do corpo ao bater na bola". Não é por um jogo que vai bem, nem um jogo que vai mal.
Janela de agosto
Acho que não vai mudar muito. A Europa está com dificuldades. Acredito que seja mais fácil vir de fora do que sair.
A parada da Copa das Confederações
Seria bom se fosse lá no meio do campeonato. Mas para na quinta rodada, quando você quer embalar o time, tem de parar. Por isso, vamos recarregar energia para preparar a equipe para o restante da temporada — que vai ser dura, vai precisar de grupo. Para o Brasileiro, tem de jogar cada jogo como se fosse uma final. Senão, tu vai lá, joga contra o time que não tem grife e não consegue o resultado. Daí, vai contra um time melhor e consegue o resultado. Isso é automático. Quando tu vai jogar com São Paulo, Flamengo, Atlético-MG, tu te mobiliza com mais atenção. Esses clubes jogam de igual para igual, a chance de vencer fica 50 a 50. Quando você joga com times de menor expressão, eles estão concentrados para não tomar gol, jogam mais fechados. As dificuldades aumentam. Tem de jogar como se fosse mata-mata, pois vale três pontos. Eu sempre digo para os caras: "Vai se poupar por quê? Não sei se vou estar vivo amanhã. Não sei se vou ter uma segunda chance".
Gre-Nal com titulares em agosto
Clássico é Clássico. Independentemente de quem esteja em campo. Às vezes, o time está mal, ganha o jogo e muda tudo. O Inter, no ano passado, como foi? Jogou com nove em campo contra o Grêmio titular, e os caras não ganharam. É muito relativo. Ah, e por causa daquilo, o ano ficou pago. Clássico é um jogo especial. Jogou clássico, independentemente de quem esteja do outro lado, tem de ganhar. Não foi escolha minha jogar com reservas. Foi deles. Eles fazem a programação de acordo com o planejamento deles.
Adaptação ao Centenário
Os dois últimos jogos foram bem legais. Tivemos mais torcedores, a arquibancada encheu. O estádio é bom, tem boa estrutura. Tem a questão da viagem, apenas. O resto está perfeito. O campo é bom, cortaram a grama baixa. O campo suporta a chuva. O grupo está assimilando bem. Entre o que eu quero e acho que é bom e a realidade, tem muita diferença. O mais importante é que o grupo tem atitude. É isso que temos de fazer? Então, vamos fazer, vamos jogar. Não é um grupo que reclama. Quando tem jogos domingo a domingo é mais fácil, tem a questão da alimentação, do repouso. Mas quando começar a correria, jogo em cima do outro, temos de pensar que o cara tem família, namorada. Tem de dar uma aliviada. Por isso, é importante a experiência do professor Paixão. Todos os detalhes, ele coloca no papel: o que tem de ser feito, o que é melhor... todo mundo dá sua opinião, fala. Depois chegamos a um denominador comum. Já trabalhávamos assim na Seleção com o Jorginho, com o Américo (Faria), com o (José Luiz) Runco. A gente faz a mesma coisa aqui. Tudo é programado. Se vai dar certo ou não é outra coisa. Mas é tudo programado.
Damião está mais completo?
Não é estar mais completo. Está com mais confiança. É que de tanto ouvir as pessoas dizerem "Damião só joga dentro da área, Damião isso, Damião aquilo", isso acabou entrando na cabeça dele. A gente conversou que ele pode se movimentar, sair da área, sair pro lado, tirar o zagueiro da área. Quanto mais tirar o zagueiro da área, mais dificuldade ele tem. Zagueiro gosta de espaço curto, porque é mais complicado para o atacante. Agora, se o atacante leva ele para o lado, ele vai encontrar dificuldade porque está fora do hábitat dele. Lembro do Gamarra, que dentro da área era um leão. Agora, coloca ele na lateral, para fazer corridas de fazer 50 e 60 metros. Começava a ter dificuldade. Tem de ter essa percepção e passar a confiança para o jogador. Que ele tem condição, qualidade técnica. Ele tem de acreditar.
Preparado para a saída de jogadores
Preparado, a gente nunca está. Isso não é novidade. Damião é um artilheiro, um cara que há dois, três anos vem se destacando. É um atacante diferente, que luta os 90 minutos, se movimenta, tem força, busca o jogo. É normal que todos queiram. Agora, se vai vender ou não é com o presidente. A gente espera que não, mas me coloco no papel do jogador. Que todo jogador sonha em jogar na Europa, na Seleção. Eu fico só observando.
Reforços
A gente não tem um número. Mas as posições que precisamos todo mundo sabe. A gente tinha sete ou oito zagueiros e chegou o momento que tínhamos dois — tivemos de jogar com meninos que vieram do sub-23. Temos de ter grupo, não adianta inchar o grupo. Acho que 40 jogadores é muito, mas dá para trabalhar com 30, 35 no máximo... qualquer coisa, chama dos juniores. Mas ele tem de estar bem fisicamente, senão vai entrar para competir com os demais e vai sentir.
Dátolo
Não perdeu espaço. Jogou, se machucou, os outros foram bem... se machucou de novo, de novo, de novo... O que eu posso fazer? Tem de jogar. E não é o Dátolo, são todos os jogadores. É o campo que fala. Não adianta os caras se iludirem também. Eles acham que eu não entendo. Sempre digo para o jogador: não se iluda com o jornal quando eles falam que tu é o Pelé, nem quando falam que tu é o "mané". Tem sempre um meio termo. Nem tudo o que falam é a verdade, tanto para o bem quanto para o mal. Só que os caras acabam acreditando e esquecem de fazer a parte do campo. O marketing é maravilhoso. Mas só vai dar resultado se tu fizer dentro de campo. O Neymar só vende porque, dentro de campo, ele joga. Qualquer um não vai vender.
O retorno de Bolatti
Bolatti tinha de jogar, mas ano passado o time tinha três estrangeiros... Quanto mais tiver no grupo, melhor. Tem de ser profissional: como é que tu vai desvalorizar um patrimônio do Inter? Dizer: "Não quero". Não é assim. Traz o cara, valoriza o cara. Se ele não aproveitar, daí são outros 500... Se ele tiver oportunidade, vai jogar e vai depender apenas dele. É o que falo: não tem não gostar deste ou daquele, não gosto é de quem não dá resultado. Jogou? Vai me ajudar? Vai para o campo.
Fonte

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