Por: Tiago Vaz
Ano passado eu desfilei na Vermelho e Branco Carioca. A Salgueiro inflou meu alter-ego sambista e neste ano... se tudo der certo, estarei de volta na avenida, desta vez aqui em Porto Alegre... homenageando os 100 anos do Sport Club Internacional junto com a Imperadores do Samba.
Pesquisando sobre o envolvimento do Inter com as escolas de Samba, notei que além da importância destacada do grupo Venezianos, que superaram os Esmeraldinos e ditaram a nossa coloração Vermelha e Branca ao invés de um enjoativo (pejorativo) verde e branco papada, existiu um outro personagem fundamental para entender a história de amor e sinergia entre o Clube do Povo do Rio Grande do Sul e o maior patrimônio cultural Brasileiro, o Samba. Este grande homem, literalmente grande, foi Vicente Rao.
Para os mais velhos, talvez eu esteja aqui retratando um personagem notório e já conhecido. Mas para os jovens como eu... essa figura pouco destacada em nosso tempo Internético, sem dúvida nenhuma vai ser surpreender a muitos.
A história dele e a sua importância, eu tentarei demonstrar nesta compilação de textos e artigos que coletei na Internet a seu respeito.
Quem foi Vicente Rao.
A conhecida hierarquia da corte carnavalesca, tal qual a conhecemos hoje, se consolidou lá pelo anos 60. Antes disso, cada rancho ou bloco carnavalesco tinha a sua respectiva realeza. A figura do Rei Momo como o monarca da festa popular surgiu em 1937, quando o jornal "A Noite", inspirado na figura olímpica do Momo dos rituais pagãos da Grécia antiga, inventou um boneco de papelão com a forma de um homem obeso e bonachão. Era a figura típica do fanfarrão, que não trabalhava e tirava onde de quem pegava no batente. O boneco virou símbolo dos desfiles carnavalescos, até que virou gente. Além de garantir a alegria dos quatro dias de folia, um dos objetivos da "realeza" é sempre atrair cada vez mais pessoas para o meio carnavalesco. A festa popular tende a crescer e amalgamar as diferentes camadas da sociedade.
Em Porto Alegre, lá pela década de 30, ele era apresentado como um sujeito que mal cabia num fraque, e cercado de ajudantes. Anos depois, surgiriam os reis momos Lelé e Macalé, que animavam festas pelos bairros da cidade. Mas o maior Rei Momo de todos os tempos na capital foi Vicente Rao, o personagem da folia cujo reinado de 22 anos (de 1950 a 1972), cuidou de transformá-lo no maior mito do Carnaval gaúcho de todos os tempos. Rao foi um dos homens mais bondosos e ingênuos que já pôs uma coroa de rei, soberano cheio de uma alegria e um magnetismo pessoal que era difícil e encontrar e símbolo de toda uma época que passou - de uma Porto Alegre exuberante e boêmia, dos tempos dos desfiles da avenida Borges de Medeiros. Conhecido como "O Primeiro e Único", ele comandava o bloco "Tira do Dedo do Pudim", certamente o mais engraçado de todos.

O "Rei" Vicente Rao
Semanas antes do Carnaval, Vicente Rao escrevia "comunicados" no estilo dos comandos militares. Claro, era pura galhofa. A extinta "Folha da Tarde" costumava os publicar sempre com destaque, e com a assinatura "Vi-100-T Rao". Era a alma da festa, o Carlos Magno, o Júlio César, o Napoleão da folia. O seu bloco sempre aparecia cantando assim:
Ó meu amor
Não faz assim
Eu sou o bloco
Tira o Dedo do Pudim!
Mas o preclaro leitor deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com futebol? Acontece que, além de Rei Momo, Rao era um dos maiores torcedores do Internacional - senão, o mais antológico. Antes de fazer história na folia porto-alegrense, ele era colorado do bigodinho aos sapatos. Mais do que isso, ele era olheiro do clube. Foi o criador da primeira escolinha de futebol do Inter e da primeira torcida organizada do país: a Camisa 12. Na época, o time era considerado de negros e pobres desassistidos. A torcida era uma espécie de desforra à sua situação de classe, se comparadas ao chamado elitismo de cor do arqui-rival, o Grêmio. Rao criou faixas e bandeiras, sempre provocando a gozação dos tricolores. Porém, ele tanto insistiu na moda que ela acabou pegando entre os torcedores adversários. Em povo tempo, eram os gremistas que criavam faixas e bandeiras. Ao ver o sucesso da sua idéia perante os azuis, Vicente Rao preparou o deboche.
Num Gre-Nal na Timbaúva, o estádio do Força e Luz, o futuro Rei Momo esperou que os gremistas levantassem a primeira faixa para erguer a sua, onde se liam em letras garrafais a frase provocativa e zombeteira: IMITANDO OS NEGRINHOS, HEIN?.
Aliás, Rao era um caso de coloradismo patológico e fatal: nasceu justamente em 4 de abril, data de aniversário de seu clube do coração. Se divertia em dizer que não havia nascido: foi inaugurado. Viveu a primeira dentição de craques do alvirrubro dos Eucaliptos, o
Rolo Compressor. Ivo, Alfeu, Nena, Abgail, Ávila, Villalba, Tesourinha, Viana, Adãozinho, Tesourinha e Carlitos. Por sinal, a expressão "rolo" foi criada por ele, que desenhava em charges que mandava para os jornais, até que o nome pegou. Certa vez, encontrou uma cabrita que pastava no terreno de um certo Lothar, e pediu-a emprestada. Batizou-a de
Chica. Desde então, a mascote seria o talismã de Rolo, e freqüentava sempre as arquibancadas do velho estádio. Rao dizia que ela era o símbolo da sorte e da força do time.
Na final do Campeonato Citadino de 1943, disputado no Fortim da Baixada (a primeira sede do Grêmio), ele tentou entrar com Chica no campo gremista. Os dirigentes azuis, já acreditando na tal história da "sorte", achou por bem impedi-la de entrar. Sem se dar por vencido, Rao arranjou auxílio de alguns torcedores, arrancou algumas tábuas da arquibancada e
contrabandeou a cabrita pelo vão do muro. Qual não foi a surpresa e o ouriço de todos os presentes ao Gre-Nal quando Chica apareceu, feliz da vida, no meio da torcida. Reza a lenda que, no fim do disputado jogo, brilhou a estrela do "talismã" colorado quando, na cobrança de falta de Rui, a bola que ia certa para a linha de fundo, desviou até cair na forquilha esquerda do gol do assombrado Júlio, que viu o Grêmio perder mais um título. No fim, Chica foi carregada nos ombros dos torcedores da Baixada até os Eucaliptos. Para quem viu, foi uma das cenas mais burlescas que a cidade já presenciara até então...
Ele morreu em 1973 mas, ainda vivo, já era o maior mito do carnaval gaúcho. Após vieram Miudinho, Queixinho, Fábio Verçoza e o atual Otávio Frota Júnior. Rao também virou nome do museu do Internacional, que foi fundado em 1994 e que uma geração de desmemoriados condenou às traças. Até pouco tempo atrás, ele se reduzia a uns poucos adereços guardados em caixas de papelão, numa sala do ginásio Gigantinho. Em novembro do ano passado, a diretoria do Inter finalmente resolveu um projeto de revitalização do antigo museu - que já virou lenda urbana, por ser o único que "existe sem existir". O novo museu está previsto para ser inaugurado em 2006. O novo projeto foi elaborado para ser um projeto auto-sustentável, sem despesas para o clube. A captação de recursos será feita junto à inciativa privada, através das leis de incentivo à cultura. Antes tarde do que nunca, será uma justa homenagem ao maior monarca da folia de Porto Alegre, o primeiro e único Vicente Rao.
Fonte:
Blog o profeta do acontecido.
O Torcedor Símbolo do Rolo CompressosQuem criou a expressão "Rolo" foi Vicente Rao. Jogador na década de 20, acabou sendo inscrito na história do clube por ser um insuperável animador de torcida. Segundo o atacante Carlitos, aquele não era colorado, era 'o Colorado', era o Internacional em pessoa. Primeiro Rei Momo de Porto Alegre, Rao gostava de futebol e da juventude, tanto que foi ele quem criou as primeiras escolhinhas de futebol do Inter. Ele fazia desenhos dos jogadores do Inter e do time todo para depois levar pessoalmente aos jornais. Figura lendária do clube.

Foi aí que ele concebeu o antológico time da década de 40 na forma de um rolo compressor, amassando todos os adversários. Na mão de Rao, nada deixava de ser declaradamente popular. É deste tempo também o surgimento das grandes bandeiras e entradas do time em campo abaixo de foguetes, serpentinas, uma barulhada de sinos e sirenes. Por iniciativa de Rao, também surge nesta mesma década prodigiosa a primeira torcida organizada do Internacional, que também era a primeira que se tem notícia no Brasil.
Fonte:
www.internacional.com.brO Museu.O Museu Vicente Rao é um museu brasileiro, localizado em Porto Alegre, na avenida Padre Cacique 891, no bairro Praia de Belas, junto à Biblioteca Zeferino Brasil, no Gigantinho. O funcionamento do museu é de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e de 14h às 17h30.
O museu conta a história do primeiro Rei Momo oficial de Porto Alegre, Vicente Rao, e relembra seus 22 anos de reinado, de 1950 a 1972.
Do acervo do museu constam fantasias, adereços e cerca de 1.800 fotos e correspondências, entre outros objetos do arquivo pessoal de Vicente Rao, que criou, no Sport Club Internacional, a primeira escolinha de futebol assim como a primeira torcida organizada do Rio Grande do Sul, denominada "Camisa 12".
Fonte:
Wikipedia