quarta-feira, novembro 25, 2009

HISTÓRIA SOBRENATURAL

por Daniel Haigert

Inspirado pelo tango de Pablo Guiñazu e Andrés D´Alessandro, o nosso selecionável Alan Kardec resolveu alçar voo no mundo da literatura, e lançou uma lenda, uma história sobrenatural, que transcende o mundo que conhecemos. Conto-lhes:

Chovia naquela tarde de Goiânia. Fernandão e Pedro Iarley entraram em campo carregando o time esmeraldino com toda força contra os arcos de Rogério Ceni. Na raça, na coloradice marcada na alma de cada um daqueles antigos heróis rubros, Fernandão, de cabeça, alcançou um cruzamento da direita feito por Pedro Iarley, marcando Goiás 1 a 0. Pedro Iarley, numa escapada dentro da área, após cortar o zagueiro, fuzilou Rogério Ceni, Goiás 2 a 0. Fim de jogo. Viva o punk dos anos 90: Pânico em SP. Estagnado, São Paulo com 62 pontos.

Em Campinas (porque lá?), longe de sua Fiel, o Corinthians entrou em campo para cumprir tabela, de sangue doce, de corpo mole, dizendo aos quatro cantos: "- Dane-se o eterno rival São Paulo. Dane-se o Inter, que nos ferrou em 2007 ao perder pro Goiás, em Goiânia" (mesmo tendo Clemer pegado dois penalties, e não termos ganho do Grêmio). Adriano, 1 a 0. Petkovich, candidato a craque do Brasileirão, segundo tendencias das redes de TV, de falta, 2 a 0. Foi decretado Carnaval antecipado no Rio. Foi imposto feriado Municipal, Estadual, a contragosto de um louco toque de recolher. "Vai dizer pra ela, que o Rio de Janeiro é uma favela". Rajadas de fuzis de alegria. Mais de mil balões no ar. Flamengo, 64 pontos.

Em Recife, um esforçado e embaralhado Inter arrancou uma suada vitória sobre o Caza Caza Caza Sport, na Ilha do Retiro. Sustos como nunca, loucura como sempre. Alecsandro, de cabeça, 1 a 0. Nego Taison, rasteirinho, no canto, desempatou, 2 a 1. Inter, 62 pontos.

Chegou o dia 06 de dezembro. Seis de doze. Seis mais doze, dezoito, divide por dois, nove, nove de mil novecentos e nove. Data do ano de fundação do Inter. Isso obviamente queria dizer alguma coisa. O sol brilhou amarelado na tarde portoalegrense. Uma luminosidade estranha. Murmurinhos pela cidade. Zumbidos. Muitos zumbidos, nenhum alarde.

O São Paulo, dando tchau pro título, arrasou o Sport. Fim de jogo e um esperado 4 a 0, e 65 pontos.

O Inter superlotou seu estádio. Beira-Rio, 40ºC, 57 mil pessoas aglomeradas, ansiosas e esperançosas, fardadas de vermelho e branco, jogaram 90 minutos com o time Colorado. E deu no que deu: Inter 3 a 0 no rebaixado Santo André. Fim de jogo, líder provisório, com 65 pontos, mas com uma vitória a mais que os outros concorrentes, o Colorado Internacional era o virtual candidato ao título.

Mas, naquele momento, ainda faltava um jogo a terminar: No festivo Rio de Janeiro, onde todos os focos miravam os seres fantasiados das arquibancadas, o Flamengo, com 89 mil torcedores no Maracanã, enfrentou o arquirival eterno do Inter, o 'imortal' Grêmio.

Eu, Alan, presenciei o ato na mini tv de um jornalista na beira do gramado do Beira-Rio. Me arrepio somente de lembrar.

Eram 46 minutos do segundo tempo. O imortal tricolor dos pampas estava ferido de morte. Agonizava em campo com seu futebol medíocre, o mesmo que havia apresentado no decorrer do campeonato inteiro nos jogos fora de casa. Segurava-se como um bêbado num poste em um terremoto para não levar o segundo gol, sofrido ainda na primeira etapa. Petkovich alçou bola na área gremista - mais uma das 522 que havia feito no decorrer do jogo. Réver, afastou de cabeça. Souza bicou pra cima. A bola quicou no centro do campo.

Foi, então, que ouviu-se uma estrondo forte. Tão forte que deu interferência nas transmissões, como se fosse uma mão batendo contra uma mesa, com fúria, com vigor. E um clarão surgiu sobre o Maracanã, como se o Sol estivesse a pino. A bola bicada por Souza e que quicou no campo agora estava, inacreditavelmente, saindo do pé direito de Herrera, o reserva de luxo, do Grêmio e iniciava uma viagem de 30 jardas em direção ao gol de Bruno, do Flamengo, que, acreditem, estava parado no limite da grande área. Todos no Maracanã pararam de respirar naquele exato momento, incrédulos no traçado que a bola de Herrera fazia lá no alto, leve, como se carregada por anjos rubros, e que objetivamente, caia sob os arcos da goleira falmenguista, mortal. Naquele extao momento, o Grêmio, quem diria, empatava o jogo com Herrera e dava o título ao Sport Club Internacional.

O Beira-Rio foi tomado de um grito único, ensurdecedor, um 'uuuuaaaaa' animalesco. Não dava tempo para mais nada. O Flamengo, desesperado, agonizava, vendo incrédulo a imortalidade tricolor se materilizar em um novo Maracanaço. Um complô gaúcho que deixou o Flamengo com 65 pontos e vitórias a menos, e que consagrou o Internacional tetra campeão brasileiro.

Eu, Alan Kardec, vi isso.

Fonte: Blog Bicho no Bolso

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