quinta-feira, outubro 01, 2009

RETRATO DE ATITUDES DIRETIVAS

Por Luciano Bonfoco Patussi
01° de Outubro de 2009

Inter eliminado da Copa Sul Americana. Nas oitavas de final. No ano do seu centenário. Foi uma eliminação com suor, não há como negar. Houve vontade. Mas em futebol a vontade é como um ser humano que se alimenta de qualidade. A vontade, abandonada entre onze jogadores sem uma disposição tática clara, "matou" o Inter de "fome"! Há quem diga que foi bom ser eliminado. Eu, sinceramente, jamais conseguirei ver o lado bom de uma eliminação, de qualquer equipe e em qualquer campeonato. Mas isso é uma particularidade e cabe a cada um fazer a sua avaliação. Não vejo nada de bom nisso, sinceramente. Durante a semana, muitos cronistas esportivos e inclusive torcedores colorados defendiam o lado bom da eliminação do Inter na Sul Americana. Pois boa parcela destas pessoas, podem ter certeza, serão os primeiros que ao final do ano, em caso de um eventual insucesso no campeonato brasileiro, irão aproveitar a situação e dizer que o Inter deveria ter ido com força máxima nesta competição.

Animicamente falando, voltemos ao jogo do Beira-Rio na semana passada. A Universidad de Chile jogou um futebol razoável, de toque de bola, envolvendo o Inter, que criou algumas boas chances, é verdade. Mas era um time aparentemente abatido e sem vontade. Quando Kleber empatou aquela partida, imaginei uma comemoração em tom de "raiva", para descarregar o mau momento e deixá-lo enterrado ali mesmo, abandonando-o em busca de reencontrar novamente o caminho das vitórias. Pois Kleber saiu se "arrastando" para comemorar, acompanhado de longe por um companheiro do time. Não há como entender. No Chile, o time precisava vencer, ou pelo menos empatar em um gol para decidir nos pênaltis. Ficou longe de conseguir. A vontade do time mudou. Pelo menos, quem acompanhou o jogo de hoje, deve ter notado isso. Assim como deve ter notado também que, ou os jogadores estão jogando sem inteligência, ou então está faltando orientação e treino. Aliás, eu lembro de 2007, quando após ganhar o campeonato mundial com muitas dificuldades, o Inter treinava em apenas um turno. As vezes o sucesso sobe a cabeça, a humildade se apaga e ficamos prepotentes. O ser humano tem tendência a ficar dessa forma, quando alcança o ápice em alguma situação que lhe é exposta no dia a dia.

Fabiano Eller, Índio e Sorondo são ótimos zagueiros. E o Inter segue tomando gol de bola aérea. Falha no posicionamento? Ou falha no combate as jogadas adversárias, pelas laterais? O Inter mostra desde o início do ano um "recuo demasiado" dos laterais - Bolívar, Danilo, Kleber ou Marcelo - no momento de uma investida adversária. Eles parecem acuados. E os adversários avançam. E os laterais parecem sugados para dentro da sua grande área. E esperam Guiñazú chegar correndo desesperadamente para dar o primeiro bote. Isso só pode ser falta de orientação. E não só por parte do treinador. Eu sou adepto da ideia de que um time em campo é a cara do Presidente do seu clube. E hoje evolui este pensamento. Um time em campo é a identidade do discurso e das atitudes da sua diretoria como um todo.

Outro exemplo de falta de orientação é o posicionamento do Alecsandro. Ouço falar e aprendi que um grande centroavante que não tem grande técnica sempre deve se posicionar na área, atrair a marcação e estar pronto para "matar". E quando a bola chega na área - com qualidade - ele sempre estará no lugar certo, e na hora certa, para marcar o gol. Pois ultimamente vemos o Alecsandro, voluntarioso, correr para tudo que é lado, tentar tabelar, escorar, fazer a parede, virar ponteiro direito. E errar tudo! Ele faz tudo, menos ficar na área - e é lógico, menos gol. Até é de se entender, pois a bola não chega decentemente na área. Ou chega, através de um balão dado por um lateral do time, diretamente da intermediária. Outra coisa irritante apresentada pelo Inter nos últimos jogos são os erros de passe de dois metros e os equívocos de cruzamento. O mais difícil é um jogador manter a posse da bola e evoluir com ela com qualidade. Pois quando isso acontece, vemos os jogadores - hoje Sandro, Kleber e Bolívar foram exemplos claros disso - chegarem com dificuldade na linha de fundo e, quando chegam, o que acontece? A bola vem rasteira, fraca, torta, para fora do campo. E aí bate o desespero no centroavante. E em todo o torcedor.

Isso tudo que tem acontecido, repito, só pode ser falta de orientação à equipe, ou então excesso de orientação equivocada por parte da comissão técnica. Mas a partir desse momento o torcedor pode ficar mais tranquilo, pois boa parte da imprensa e dos próprios adeptos - e até mesmo da direção do clube - achavam que mais de uma competição tiraria o foco principal da equipe, que seria a luta pela conquista do título brasileiro. Agora, depois desta eliminação da Copa Sul Americana "obtida" com todos os "méritos" da "nulidade tática", vamos ver um Inter novamente forte no campeonato brasileiro, já que para muitos, a disputa de duas competições simultâneas era o principal problema. Pois agora este dilema não existirá mais, já que o Bolívar vai passar a fazer cruzamentos precisos e vai se tornar o lateral-direito que não é visto desde 2007 no Beira-Rio, o jovem Maycon passará a ser um substituto ao nível do Magrão, o Edu mudará completamente a característica que lhe acompanhou por toda a sua carreira e passará a ser um substituto natural do selecionável Nilmar, o Tite vai treinar o time com os portões abertos e em dois turnos e a diretoria do clube assistirá, de "camarote", as mudanças acontecerem ao "natural".

Espero que ao final de tudo isso, sinceramente, o Inter seja campeão brasileiro. É minha torcida. Cresci vendo futebol e acompanhando a história, em especial, das conquistas coloradas no campeonato brasileiro nos anos 70. Li muito sobre isso, assisti vídeos e é uma história fascinante, não só para a torcida colorada, mas para qualquer fanático por futebol! Mas como eu disse anteriormente - e volto a afirmar - a postura de um time em campo, ao longo do tempo, é retrato fiel das atitudes da diretoria do clube. Tudo isso se agrega em campo, onde os resultados aparecem. Mas a base de tudo o que acontece vem de cima para baixo. E é muito importante frisar também a situação financeira atual do clube. Há um ou dois anos era destacado pela direção colorada que o Inter chegaria a um ponto onde seria "auto-suficiente" financeiramente, sem precisar vender jogadores de qualidade em momentos importantes. Hoje precisa vender apenas um por ano, conforme o "discurso". Mas pelas atitudes diretivas, os cofres do clube estão sanados, não apenas por um ano, mas até 2017 ou 2018. É o que vemos atualmente, infelizmente.

A Universidad de Chile mostrou vontade e um pouco de organização tática, um time compacto, tendo uns dois ou três jogadores de maior qualidade técnica. No confronto direto das duas partidas, foi merecedor pleno da classificação para jogar a fase de quartas de final da Copa Sul Americana de 2009 e segue vivo lutando pelo título continental. Já o Inter volta ao Brasil, esperam os torcedores, para lutar em defesa de todos os seus fanáticos seguidores, em busca do título de campeão brasileiro de 2009! Pelo menos alma e vontade de vencer deverão aparecer! A desculpa das duas competições simultâneas acabou!

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ESPECIAL DO CENTENÁRIO:
História Colorada e Fotos Antigas

ENTREVISTA: Delegado Poppe

O INTER NA REVISTA PLACAR

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