As Batatas
Terça-feira à noite li no site da BBC Brasil uma matéria interessante produzida por Anelise Infante, correspondente madrileña da BBC, e que tinha como título o seguinte: “Atletas deveriam beber cerveja todo dia, diz estudo”.
Inevitável a minha comparação com a fase atual do Inter e hoje, depois da segunda final perdida em 8 dias, se mostra passível de uma profunda reflexão.
No texto da reportagem, Anelise nos fala sobre o estudo o seguinte:
(…) os componentes da cerveja ajudam na recuperação do metabolismo hormonal e imunológico depois da prática desportiva de alto rendimento e também favorece a prevenção de dores musculares.
O estudo foi realizado em dois anos e recomenda o consumo de três tulipas de 200 ml de cerveja (ou de 20g a 24g de álcool) para homens e duas para mulheres (10g a 12g) por dia; volume que os autores do relatório definem como moderada.
O destaque acima à palavra moderada foi proposital. Pois pensando cá com meus botões um tanto inchados, apesar da liderança do Brasileirão, cheguei a seguinte conclusão: ou nossos atletas estão abusando da noite e dilatando demais o conceito de moderada ou estão vivendo em um convento, reclusos, abstêmios, pastando, cagando e andando para qualquer crítica ou auto-crítica.
O que se viu nos dois jogos da final da Copa do Brasil contra o Corinthians e nos dois jogos contra a LDU foi uma verdadeira VERGONHA, para ficar bem calmo.
Uma certeza eu tenho dessa situação toda: a culpa é 90% dos JOGADORES, apáticos, sem vontade e sem VERGONHA alguma. Os outros 10% coloca na conta do Tite e do Departamento de Futebol, que andam passando muito a mão na cabeça de alguns jogadores e, este último em especial, não tem cobrado o Tite de forma incisiva para escalar os MELHORES, e não os mais amigos do treinador.
Aliás, trago outra citação que muito bem ilustra e coloca os perdedores em seu devido lugar e que me pareceu ótima para ilustrar o que nos falta. Fala, ó, grande filósofo, QUINCAS BORBA:
Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
O Inter vêm jogando de forma infantil. É um lord inglês, um gentleman. São qualidades admiráveis, mas não em um campo de futebol e disputando uma taça. Alguns tentam salvar o Guiñazu, mas nem ele tem demonstrado toda a sua capacidade por conta da completa abstração e comodismo do restante do time. O time não tem mais uma cara, muito menos tem uma alma. Não têm FOME para vencer as batalhas e seguir para além das próximas colinas. Dividiu as batatas com a outra tribo alvi-negra faminta e foi dizimado por essa tribo na Copa do Brasil, mas não aprendeu. Quis dividir novamente com a tribo equatoriana e foi solapada inapelavelmente por uma tribo fraca, que tinha sido eliminada na primeira fase da Libertadores em situação parecida com que passamos em 2007 na mesma competição.
O Internacional segue sendo dizimado pelas tribos pela sua atitude amigável. Parece que se contentou com os hinos, aclamações, recompensas públicas que o Gauchão trouxe (falsamente).
Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
Se o Gauchão matou a fome dos jogadores, não matou a fome dos TORCEDORES. Queremos mais, sempre mais. Queremos SEMPRE as TODAS AS BATATAS!





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