sábado, junho 27, 2009

Xenofobia e preconceito na imprensa

por Gerson Sicca

Tem um tal de Chico Lang, cidadão o qual eu nunca tinha ouvido falar, que andou apelando para a estupidez ao criticar os dirigentes de Grêmio e Internacional. Além do comportamento preconceituoso o que me impressionou foi a ignorância histórica do sujeito, capaz de levá-lo a afirmar que o Rio Grande do Sul seria o maior responsável pelas figuras da ditadura. Ele tem uma coluna chamada parafuso solto ou bola solta, qualquer coisa assim. Lá escreveu um amontoado de besteiras. Talvez a única coisa que se aproveite seja a última frase do seu texto, acredito que pensada para descrever de forma sintética o trabalho dele na "coluna"(que não é a Coluna Prestes, essa, para tristeza do "comentarista esportivo", foi formada por um gaúcho a partir de Santo Ângelo).
Bom, o Biscoito mandou-me o link dessa coluna e o e-mail que mandou para o sujeito. Eu também resolvi dizer umas coisas sobre o cidadão e mandei cópia para o mesmo, na esperança de que ele mude sua visão preconceituosa, nem que isso aconteça na hora da extrema-unção, já que Deus costuma perdoar até mesmo nos acréscimos do segundo tempo. Segue o que escrevi. Perdoem-me os erros, pois fiz na velocidade e sem revisão:

"Esse cara pelo jeito é um coitado, e deve ter sido reprovado em história na escola.
Pelo jeito, ele não sabe que a revolução farroupilha é um marco do liberalismo revolucionário brasileiro, e que deveria ser estudado melhor. A bandeira do Rio Grande do Sul tem o lema "igualdade, fraternidade, humanidade", de clara inspiração na revolução francesa, assim como o hino. O "sirvam nossas façanhas a toda a terra" é uma conclamação a todos os povos oprimidos do planeta, para que se libertassem da dominação, conclamação essa inspirada também na revolução francesa.
Mas não para por aí. A revolução farroupilha não importou na totalidade o modelo francês, pois não copiou o conceito abstrato de nação, cuja interpretação deturpada poderia levar a um novo absolutismo. Ao contrário, os textos revolucionários indicam o recurso às fontes da revolução americana, onde o conceito de povo remete aos habitantes do território e não a um conceito abstrato de nação. O conceito de povo é a base da melhor conjugação já feita entre democracia e poder soberano(talvez ele ache que a única coisa que os EUA criaram seja o Michael Jackson).
Provavelmente ele não conhece o Rio Grande do Sul, ou, se conhece, fechou os olhos para o que viu. De fato, nosso estilo de jogar futebol assemelha-se mais ao conceito de guerra do que propriamente ao de arte. Por isso nosso jogo tem tamanha identidade com nossos vizinhos do prata, e não só no futebol, mas também na indumentária, nas milongas que melhor representam a melancolia do inverno, o mate e, também quanto ao futebol, a intensa democracia no momento da pelada. Nos nossos campos ninguém é discriminado, qualquer um joga. Mas ele não deveria criticar-nos. É nossa cultura e deve ser respeitada.
O Brasil só é forte porque é multicultural. E talvez não seja maior porque haja pessoas com esse nível de desconhecimento. Ignorar a formação cultural do povo do Rio Grande do Sul e do seu temperamento, muito diferente do "homem cordial" açoriano, é miopia intelectual. Esse senhor ignora que ao mesmo tempo em que o Rio Grande do Sul produziu figuras reacionárias, como todo o Brasil, também criou expoentes do movimento contestador e libertário.
O gaúcho defende com vigor suas ideias e não gosta do meio termo. É, sim, beligerante, como todos os apaixonados. Por isso o gaúcho ama a política e pelo futebol, que são coisas apaixonantes. A esse senhor, devo dizer que conheça melhor o Rio Grande do Sul. Quem sabe aprenderá um pouco com os gaúchos. Possivelmente, ao final ele admirará os gaúchos pela capacidade que eles tem de não se curvarem ao poder e de falarem o que pensam, de serem intensos.
Por tudo isso, o termo gaúcho indica uma nação, não só de pessoas que nasceram no Rio Grande do Sul, mas por todo o Brasil. Tomar chimarrão todos os dias é mais que beber algo: é resgatar na minha alma minha identidade.Sinto que faço parte de uma imensa comunidade com a qual me identifico
A esse cidadão, devo dizer que sou gaúcho e brasileiro. Quando jogo minha pelada, gosto do jogo pegado, corrido, jogado a morrer. Não gosto daquele jogo desinteressado onde ganhar ou perder não diferença. Não gosto de ditadores e não baixo a cabeça para quem quer que seja. Não sei o que é subserviência. Vivo com atitude, no trabalho, na política e no futebol de fim de semana.E com tudo isso não falto o respeito com ninguém. Admiro muito a cultura carioca, nordestina ou de qualquer lugar desse país. Não sou xenófobo.
Gerson
P.S.: utilizar argumentos xenófobos para criticar a postura de algum dirigente é algo de tamanha irresponsabilidade que causa espanto que uma pessoa dessas esteja na mídia. Será que algum dia ele disse que as dezenas de pessoas feridas naquela fatídica final entre Vasco e São Caetano ocorreu porque isso só poderia ser coisa de carioca? O que as horrendas brigas entre torcidas em clássicos de São Paulo acontecem porque isso decorre de um desvio de personalidade dos paulistas, cuja cultura representaria a atrocidade dos bandeirantes(um mente assim até poderia pensar uma coisa dessas)?

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