Sábado, Abril 18, 2009

O COELHO E O GAUCHÃO EM UM MISTO DE EMOÇÃO

Por Luciano Bonfoco Patussi
18 de abril de 2009
www.inter-clubedopovo.blogspot.com
lbpatussi@yahoo.com.br

Como todo colorado fanático, andei com um pensamento atormentando minha mente nos últimos dias: “como eu queria estar no Sul nesta semana”. Pois bem, cheguei dias atrás de uma estafante jornada de trabalho realizada fora do Rio Grande. Isso mesmo, estive fora de nossa querida terra nos últimos dias. Mas neste final de semana, eu precisava estar por aqui. Isso parece óbvio, é que Internacional e Caxias decidirão neste domingo o título do segundo turno do campeonato gaúcho de 2009. Mas o que vi no aeroporto em minha chegada causou susto, espanto e calafrios. Uma festa do tamanho das três “Américas” reunidas, colorida em azul, preto e branco, tomou o aeroporto e as ruas de Porto Alegre. Pensei: “a realidade mudou?” Eu estava lá, desavisado. Estava feliz por voltar à minha terra em uma semana decisiva. Por outro lado, tenso e um tanto apreensivo, para saber o que havia acontecido. Após um rápido lanche ainda no saguão do “Salgado Filho”, dirigi-me a um táxi que estava parado em frente à porta principal de saída dos passageiros recém chegados a capital gaúcha. Após dizer ao motorista que meu destino ficava em Canoas, cidade vizinha a Porto Alegre, seguimos estrada adiante. Conversamos sobre a atual situação econômica do nosso país, sobre a importância da família como base da educação, mas eu precisava perguntar sobre aquela festividade vista no aeroporto.

Quando toquei no assunto do esporte que é a paixão nacional, o taxista, simpático por sinal, mas torcedor tricolor, me respondeu com um sorriso em que foi possível visualizar seus dentes indo de orelha a orelha: “a festa porque o meu Grêmio Imortal está classificado para a próxima fase da Copa Libertadores”. Aliviei-me – pois a festa era de título e fiquei sabendo que, de fato, não era – mas ao mesmo tempo me espantei: “foram para a próxima fase, já é semifinal ou é a final?”, questionei. O jovem motorista respondeu: “não, é para a segunda fase, ainda há dezesseis times disputando o título em igualdade de condições”. Aquele “igualdade de condições”, apesar de eu saber que um “mata-mata” pode igualar situações vividas distintamente entre fortes e fracos, me causou gargalhadas descontroladas. Pelas festividades que presenciei, eu pensei que o Grêmio havia vencido a Libertadores, é sério!

Mas chegando em casa, resolvi escrever. Escrevi sobre a decisão de campeonato que aguarda os colorados. A grande final que aguarda a todos os torcedores do Inter será neste domingo. Não só colorados, mas torcedores do Caxias também estão vivos atrás de um sonho. E este sonho, quem está vivo, pode realizar. É o caso do Inter e do Caxias. Em nível estadual, o Caxias já atingiu um patamar diferenciado de outros clubes. Ainda sofre um pouco por jamais ter tido um patrocínio milionário, como o seu rival Juventude teve durante anos. Mas com suas próprias pernas, o Caxias trabalhou, correu atrás dos sonhos, movido sempre a amor e a paixão de seu torcedor. Vai chegar à hora que o Caxias vencerá seu segundo título estadual e vai ultrapassar seu maior rival. Eu só espero, enquanto colorado, que isso não ocorra no domingo próximo.

O Caxias virá para o jogo como uma final de Copa do Mundo. E não poderia ser diferente. O Inter é que tem que fazer o mesmo! Jogar uma final de mundial! Isso só tende a valorizar o grande espetáculo que se aproxima. E se o Caxias ganhar? Será o campeão do turno merecidamente e lutará na decisão do campeonato em igualdade de condições contra o Inter. O Caxias, comandado anos atrás pelo atual técnico do Inter, já foi capaz de emudecer o estádio Olímpico e parar o time do Grêmio de Ronaldinho Gaúcho. Saiu de lá campeão (Por favor, gente, não confundam esta frase, achando que o Caxias foi dar uma volta com o peão. Naquela oportunidade, o Caxias saiu campeão, de fato e de direito). O Caxias é um clube que sempre travou grandes duelos contra Internacional e Grêmio, entre outras grandes equipes do futebol estadual e nacional. Por tudo isso, o Caxias, treinado pelo promissor treinador Argel – ex-zagueiro do Internacional – merece respeito e total atenção na decisão de domingo. E se sair vencedor, vai merecer o meu aplauso, pois terá sido um time capaz de derrotar o Internacional no Gigante da Beira-Rio. E, falando sério, isso é uma decisão em jogo único e tudo é possível. Esse é o meu colorado e consciente pensamento. O Inter deve e precisa ter total atenção neste jogo.

E nós colorados? O que temos a suplicar das arquibancadas ao time comandado por Tite dentro do campo, neste domingo? Enquanto apaixonados pelo Inter e como pessoas de humor e dia-a-dia dependentes deste vício sem igual, só temos a pedir que os onze jogadores que estiverem dentro do gramado, vestidos de vermelho e branco e com o escudo colorado do lado esquerdo do peito, se doem em campo. Só queremos que joguem como se fossem torcedores do Inter desde criançinha. Que corram como se eles tivessem tido a oportunidade de ver Figueroa, Falcão e Fernandão erguendo taças e honrando o manto sagrado vermelho. Só queremos que pensem no sofrimento causado por uma derrota e, caso uma delas venha a ocorrer, possamos bater no peito e dizer que “fizemos o máximo possível e perdemos pois o adversário foi melhor”. Eu tenho convicção, que está inclusive gravada em três letras no meu coração, de que o Inter vai respeitar o seu torcedor, como tem feito nos últimos anos.

O Inter vai entrar em campo e vai jogar como se fosse o último jogo da sua vida, pois é assim que deve ser, sempre! É assim que tem sido, sempre! E se tudo isso ocorrer, e o Inter sair derrotado, ainda assim será justo. O adversário terá sido melhor. Se o Inter vencer, também terá sido justo e merecido. E todos irão para casa realizados. Isso porque o desejo de todo torcedor colorado foi atendido e gente competente assumiu a direção colorada, transformando o clube em referência nacional, continental e mundial. Hoje o Inter realiza. Realiza em nível regional. Às vezes perde. Outras vezes, realiza em nível nacional. E também perde em outras oportunidades. Mas outras tantas vezes, o Inter realiza sonhos em nível continental e mundial. E outras vezes, pode perder. Mas independentemente do que acontecer, se o Inter fizer em campo o que a torcida pedir – que é lutar com todas as forças pela vitória até o último minuto – todos estarão orgulhosos.

Voltando um pouco aos atos que vi no “Salgado Filho” dias atrás, lembrei que, enquanto realizamos os sonhos – nós, colorados – algumas comemorações desproporcionais me fazem entender um anúncio descrito em meia página de um jornal de circulação estadual, que eu lia no aeroporto no exato instante de meu regresso ao Rio Grande. O anúncio dizia mais ou menos o seguinte: “Atenção. Esta é uma promoção válida exclusivamente só para você, ser superior, que acredita na imortalidade e em coelhinho da páscoa!”. Era um jornal ultrapassado, de alguns dias atrás. Mas era o que eu tinha para ler no momento e me contentar. Foi ali que passei a entender os festejos em três cores que presenciei ao vivo. O final da história, a não ser que algum aborto da natureza aconteça – digo aborto considerando a atual situação financeira, técnica e administrativa dos maiores clubes do Rio Grande do Sul – todos podem imaginar. Eu imagino. Eu viajo mesmo. E viajei tanto nestas singelas linhas. Viajei tanto quanto muitos co-irmãos do Rio Grande querido têm viajado. E algum leitor acredita que realmente eu fiz uma viagem de negócios nesta última semana? Acredita que tudo aconteceu da forma como descrevi? Se acreditar, deve acreditar também no coelho aquele, e também na tal diferenciada e única imortalidade. Confesso. Eu viajei! Viajei mesmo! Mas domingo, eu e toda a Nação Colorada queremos a realização estadual, mais uma vez!

Torcedor colorado! Domingo, 19 de abril de 2009! Final da Taça Fábio Koff, equivalente ao segundo turno do campeonato gaúcho! Estádio Gigante da Beira-Rio! Internacional e Caxias! Inter em campo, em busca de mais uma realização! Se vier a se concretizar, esta realização alargará ainda mais a histórica vantagem que faz do Internacional o maior campeão gaúcho da história! Afinal de contas, o Papai é o Maior!

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