Sexta-feira, Março 27, 2009

MEMORÁVEL - Campeonato brasileiro 1975: Fluminense FC x SC Internacional

Prezados leitores,

Dando início a uma série de reportagens históricas que a equipe de colaboradores do Supremacia Colorada estará divulgando nesta semana tão especial - A Semana do Centenário Colorado - publico abaixo, para apreciação de todos, um texto com informações históricas sobre uma das tantas memoráveis jornadas realizadas pelo Clube do Povo do Rio Grande do Sul nos seus quase cem anos de existência. Neste momento de entusiasmo para toda a Nação Colorada, é ótimo termos boas lembranças. E é gratificante demais fazer parte desta competente equipe de "blogueiros" apaixonados pelo Inter. Uma grande saudação colorada à todos os leitores apaixonados por futebol, independentemente das suas cores clubísticas.

Por Luciano Bonfoco Patussi
27 de março de 2009
lbpatussi@yahoo.com.br


Para falar sobre um dos jogos mais importantes da história do futebol gaúcho, é interessante voltarmos ao tempo e relembrar alguns fatos que marcaram o envolvimento contido no jogo Fluminense “versus” Internacional, disputado em 1975, válido pelas semifinais do campeonato brasileiro daquele ano.

O futebol gaúcho tem muita tradição. Muito dessa tradição – grande parte – se deve à popularidade do Internacional. O Colorado é popular desde sua fundação e é responsável direto pelo respeito que todos passaram a ter pelo futebol do Rio Grande do Sul ao longo dos anos. Nosso futebol cresceu nas décadas de 1930, 40 e 50. Mais ao final dos anos da década de 1960, na disputa do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o “Robertão” – que era o antecessor do campeonato brasileiro atual – o Internacional já dava mostras de sua força além do Rio Mampituba. O Colorado foi vice-campeão deste torneio por duas vezes, mudando um pouco o conceito formado nacionalmente, de que times do Rio Grande do Sul não teriam condições de disputar grandes títulos nacionais. Essa situação colocada por parte da imprensa do centro do país incomodava a todos por aqui. Eles até tinham certa razão, pois os grandes títulos ficavam sempre por lá mesmo. Mas os gaúchos são fortes. Aguerridos. Bravos. E assim, os “vermelhos” – e anos mais tarde também os azuis – cresceram e se fortaleceram a tal ponto que, atualmente, podemos dizer que o futebol gaúcho também faz parte – em termos de força, poder econômico e tradição de títulos interestaduais – do grande centro do futebol nacional – ao lado de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Ao final dos anos 60 e início da década de 1970, o Internacional já tinha um grande time, que ano após ano ia sendo fortalecido. Na diretoria do clube, nomes como Ephraim Pinheiro Cabral, Carlos Stechmann, Eraldo Herrmann, entre tantos outros, foram responsáveis pelo crescimento do clube no nível nacional das disputas. Em solo gaúcho, o Internacional tornava-se arrasador, ano após ano. De 1971 até 1974 o Colorado ficou sempre entre os cinco principais times do país. Na época, o comandante de tudo foi Eraldo Herrmann, presidente do Internacional no biênio 1974-1975. Ao final de 1974, o esquadrão vermelho foi hexacampeão gaúcho, igualando sua própria marca recorde, obtida em 1945 com o “Rolo Compressor” que tinha, entre outros tantos craques, Tesourinha, Alfeu, Nena, Abigail, Carlitos. Voltando ao nível nacional e à década de 70, mais precisamente em 1975, uma das chaves das semifinais do campeonato brasileiro daquele ano foi disputada em jogo único, entre Fluminense e Internacional, no Maracanã, na Cidade Maravilhosa. O Inter, naquela altura, já era heptacampeão do Estado. O mítico estádio Maracanã receberia naquele dia 7 de dezembro o Internacional para tentar selar o seguinte destino: o time do Sul é bom, mas vai ficar, novamente, em terceiro ou quarto lugar no campeonato brasileiro. Essa era a vontade e a convicção da grande maioria da imprensa e dos torcedores do centro do país. Mas desta vez, não foi bem assim. No Rio de Janeiro, a certeza era de que a máquina tricolor, comandada pelo brilhante craque Rivelino no meio-campo, e que contava ainda com jogadores consagrados como Félix, Carlos Alberto Torres e Zé Mário, entre tantos outros, passaria à final do campeonato, atropelando os “Vermelhos”.

Na véspera da partida, o povo do Rio de Janeiro praticamente comemorava o resultado do jogo que ainda seria disputado, de fato. A certeza de vitória era enorme. Passados vinte e cinco anos do “Maracanazo” de 1950, os vilões do Maracanã mudaram de cor. “Trocaram” a camisa “celeste olímpica” pela camisa vermelha – da cor do coração de todos nós.

Os jogadores colorados, naquele longínquo dezembro de 1975, foram vilões para uns, mas heróis imortalizados na memória de uma inteira nação de torcedores sedentos por mais vitórias. Rubens Minelli, o magistral treinador do Internacional na época, pouco antes de o time entrar em campo, mostrou ao seu grupo de atletas algumas reportagens que foram divulgadas no dia anterior à partida. Essas reportagens estampavam a esperada vitória da equipe do Fluminense – que não aconteceu. Todos os tricolores do Rio esperavam ansiosamente pelo jogo contra o Cruzeiro, que decidiria o título daquele ano. O jogo contra o Inter seria apenas mais um na caminhada rumo ao título.

Rubens Minelli, o treinador colorado, motivou o time de tal maneira que, em campo, o Fluminense comandado por Didi não viu a cor da bola. Em campo, comandado pelo cerebral Paulo César Carpeggiani, o Internacional dominou o time carioca. Caçapava, tal qual um cão de guarda do sistema defensivo colorado, fez com que Rivelino não conseguisse tocar muitas vezes na bola no jogo. Em uma atuação épica, digna de grandes esquadrões que fizeram história no mundo da bola, o Colorado foi ao Rio de Janeiro, venceu o Fluminense por dois gols a zero – golaços de Paulo César Carpeggiani e do ponteiro-esquerdo Lula, jogou uma partida bela, irrepreensível e inesquecível para todos os amantes do bom futebol, “calou” mais de cem mil torcedores adversários que assistiam ao espetáculo das arquibancadas, “emudeceu” parte da imprensa que não respeitava o “Rolo Compressor Colorado” e, de quebra, garantiu vaga na decisão do certame que sagraria o Internacional como campeão brasileiro de 1975. Foi o primeiro título de expressão interestadual de um clube gaúcho. Mas aquele épico e heróico jogo contra o Fluminense foi que, verdadeiramente, encheu a todos de confiança e fez com que a história do Internacional e do futebol gaúcho desse uma verdadeira guinada no rumo das grandes conquistas.

Após a grande vitória contra o fortíssimo time do Fluminense, veio a decisão do campeonato brasileiro, contra o Cruzeiro. Foi outro jogo difícil, contra um outro grande esquadrão daquela década dourada. Mas este jogo decisivo já é uma outra história – e bem mais conhecida por todos.

Em 4 de abril de 2009, o Internacional completará cem anos de existência. Nas vésperas desta data tão significativa, nada melhor do que recordar alguns dos milhares de feitos alcançados na história do clube. A partida entre Fluminense e Internacional jogada em 1975 foi um destes capítulos inesquecíveis da história, não só do Internacional, mas do futebol gaúcho e brasileiro. O Inter é, e sempre será, uma força do futebol nacional e um clube que apaixona milhões de torcedores pelo Brasil e pelo mundo afora. Parabéns Sport Club Internacional pela passagem dos seus cem anos de lutas e glórias!




Fontes de Pesquisa realizada pelo autor entre 26 e 27 de março de 2009:

www.internacional.com.br

http://futpedia.globo.com/campeonatos/campeonato-brasileiro/1975/12/07/fluminense-0-x-2-internacional

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_presidentes_do_Sport_Club_Internacional

3 comentários:

Fábio R. disse...

Uma das narrações mais sensacionais do rádio brasileiro é deste jogo. Luiz Carlos Prates, então narrador da Rádio Gaúcha de Porto Alegre, fez uma narração SENSACIONAL deste jogo do Maracanã. Mas sensacional é pouco, perto do que é a narração.

gerson disse...

Prates que é colorado.
E olha só o Tiago nadando de braçada. Muito legal! Tiago, essa tua pesquisa sobre a origem do Inter é um exemplo de amor ao clube. E, sinceramente, fiquei orgulhoso de ver a reportagem. Afinal, somos parceiraços aqui no supremacia. Muito massa mesmo.
Tchê, sinceramente, não sei o que tu pretendes fazer com esse material, mas eu acho que tu tinhas que colocar no papel, a gente reunir mais uns colorados, cada um escrevendo uma crônica sobre o colorado, rechear o material com fotos interessantes e publicar um livro comemorativo do centenário. Aliás, coloquei essa ideia pra vcs por e-mail. Não precisava ser livro pra vender, mas algo para nossa rede de amigos colorados guardar pra mostrar pros filhos e netos. Eu sou voluntário pra tentar encabeçar esse projeto.E poderíamos tentar convidar alguns colorados conhecidos e que tivesse capacidade de escrita pra colaborar. O Prates, p.ex., citado pelo Fábio, tá RBS aqui em Floripa e dava pra tentar sensibilizá-lo do projeto, mostrando que é algo sério.
Se a gurizada achar que a ideia não é doideira podemos trocar umas ideias e tocar o troço adiante. Imagina lançar um livro assim na feira do livro em novembro, e depois fazer um futebol com churras e cerva pra comemorar? deus o livre!
Abraço

Fábio R. disse...

Não é doideira, Gérson. Acho extremamente válida essa idéia e possível de ser feita.

Contem comigo.

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